Blogueiro não!

3 de novembro de 2009 at 11:54 pm (1)

Suicida2

Algo que me entristece muito é ver como a literatura tem sido cada vez mais banalizada pelas pessoas. Isso não quer dizer que as pessoas lêem pouco, isso significa que as pessoas lêem MAL! Um bom escritor dificilmente faz sucesso, porque não vivemos num país de bons leitores.

Para piorar, a internet veio a banalizar ainda mais a escrita. Desde que a internet se popularizou, surgiu uma categoria diferenciada de ser-humano, o Blogueiro! O blog e o ato de criar e escrever blogs é algo lindo, fruto de uma democratização da palavra e da informação. Mas toda democracia tem suas falhas. A partir do momento que se abre um espaço tão grande, tão amplo e tão irrestrito para a divulgação de opiniões e conceitos, abre-se espaço para a difusão de idiotices diversas.

Antigamente, para um texto ser publicado, era necessário imprimir e distribuir. Mas isso custava caro, então tudo que era publicado passava por uma análise detalhada que visava a julgar não apenas o conteúdo em si, como também a forma da escrita. Aliás, tudo era assim! Para publicar um livro, para divulgar um texto, para rodar um filme, para gravar uma música e etc…

Ainda assim, mesmo com todo o trabalho que se tinha, um monte de asneira era publicada. Eu já cheguei a ver uma reportagem na Veja que negava princípios básicos da física que qualquer estudante do colegial sabe! Também já vi erros gramaticais absurdos e textos sem nenhum compromisso com a lógica e a boa compreensão.

Enfim, se  com todo o trabalho de triagem e todo o custo de publicação existem livros ruins, revistas ruins, jornais ruins e filmes ruins,  imaginem o que rola no vasto, público e irrestrito espaço da internet? Merda! Rola muita merda!

Pior do que isso, toda merda faz sucesso!

Como todos sabem, eu visito diariamente alguns blogs dos quais eu gosto muito. Numa das minhas andanças pela rede, garimpando bons sites, encontrei o site de um “cartunista” que “desenha” tirinhas de humor. De acordo com os leitores assíduos desse site, o mérito das tirinhas não está nos desenhos, mas no conteúdo. Porém, percebi que o autor simplesmente desenha (mal desenhado, sem nenhuma expressividade) piadas e ditos populares. Não há criatividade, não há senso estético, não há nenhum trabalho artístico envolvido na criação daquele site! Aliás, não há trabalho nenhum! Mesmo assim, o site é um dos mais acessados, tem patrocínio e gera muita grana!

Isso não é exclusivo da internet. Veja só o tipo de literatura que faz sucesso hoje em dia: Revista Caras, Revista Capricho, livros do Paulo Coelho, etc… 

Até mesmo no mundo musical esse padrão se repete! Enquanto bandas boas, de muita qualidade musical, ficam no anonimato, Créu e Mulher Melancia geram fortunas! 

Enfim, a internet, ao popularizar a escrita, popularizou com ainda mais força a MÁ escrita! Eu já li bons livros que ninguém leu e já visitei ótimos blogs que ninguém visitou. E não adianta falar que “é tudo uma questão de gosto”, porque não é disso que eu estou falando! Eu estou falando do recorrente sucesso que o banal, o tolo, o fútil faz entre os brasileiros.

Por causa disso, da infinidade de besteira que os blogueiros de hoje postam por aí, eu me recuso a aceitar o título de blogueiro. Prefiro dizer que sou um escritor contemporâneo, que usa a internet como ferramenta necessária para ampliar os limites dos meus textos para além da minha mente e da minha gaveta. Podem dizer que eu escrevo mal, podem discordar do que eu digo, mas não me chamem de blogueiro, NUNCA!

E esse mérito não é só meu! Caminham comigo muitos outros escritores e cartunistas contemporâneos que buscam na internet apenas a facilidade de divulgação, e não a volatilidade nem a falta de filtro.

Pelo menos há uma coisa boa nessa história de “internet”. Quem divulga na rede tem liberdade de expressão. Se eu escrevesse numa revista qualquer, teria que moldar minhas palavras de acordo com a vontade de um editor. Na rede todo mundo tem o rabo solto! (no sentido heterossexual da palavra).

suisidio

Agradeço a todos os meus poucos e bons leitores por prestigiar “minha arte” como poucos são capazes de prestigiar. Desde a recente criação do blog foram cerca de 50 comentários e 500 visitas. Isso é muito mais do que eu esperava, porque eu não esperava nada. Obrigado!

E obrigado em especial ao Jehf Cardoso (http://jefhcardoso.blogspot.com/) por caminhar comigo nessa luta para a divulgação de uma literatura contemporânea de qualidade, e por ter me feito refletir a respeito do assunto.

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Desisti mais uma vez…

27 de outubro de 2009 at 10:43 pm (1)

Por toda a vidaA

Por toda a vidaB

Estou a 30 minutos tentando escrever algo que descreva meu desenho, mas não consigo pensar em nada. Talvez eu esteja desenvolvendo minha capacidade de desenhar, e esteja atrofiando minha capacidade de escrever. Enfim, a verdade é que o desenho praticamente se explica por si só. O que está por tráz dele é de posse do imaginário humano, dos devaneios individuais de cada um que lê. O que EU penso por tráz desse desenho? Muita coisa….

Eu lembro de tudo aquilo que deu errado na minha vida, tudo aquilo que desviou para um caminho alheio à minha vontade. Eu lembro da faculdade, que eu desisti porque eu não gostava; e eu lembro dos namoros que terminaram por falta de alguma coisa. Lembro de tudo isso com a certeza de que, no final das contas, o desfecho aparentemente trágico e infeliz foi, na verdade, a solução mais obvia de todas.

Porém, a solução obvia não é a mais fácil de se tomar. Desistir de algo ou de alguém vai além daquilo que se está desistindo. Quando eu saí da faculdade, renunciei não apenas àquela vaga e àquela carreira, renunciei a todos os sonhos e desejos que me guiaram até ali. Sair da faculdade foi fácil, difícil foi assassinar meus sonhos antes mesmo que eles nacessem.

Desisti de muitas coisas al longo da vida, inclusive de algumas pessoas. Quando se toma a decisão de desistir de um relacionamento é porque, de fato, esse relacionamento já trás consigo muita tristeza. Mesmo assim, terminar não é fácil. Junto com o namoro vão-se os sonhos e os planos de futuro. Desistir de algo que foi tão importante é como um aborto expontâneo de um feto doente. Um feto que podia até vir a nascer, mas traria consigo muita dor e muito sofrimento. Desistir é um mal necessário à nossa felicidade.

Uma sensação de vazio toma conta da gente quando algo dá errado, como se, de alguma forma, a culpa fosse toda nossa, mesmo que não seja. Uma sensação de que talvez poderíamos ter nos esforçado mais e tentado mais. Uma sensação que inevitavelmente vem acompanhada de um lapso de lucidez e que nos diz: “Não, não era para continuar! Você estava infeliz!” Mas esse lapso é como uma gota d’água tentando apagar um incêndio.

No final das contas, a vida é mesmo uma loteria. Não se pode prever se seremos felizes ou não. Só  depois de termos sido felizes é que podemos afirmar, com certeza, que fomos felizes! Em meio a esse devaneio de emoções, penso que talvez a melhor forma de sermos felizes, seja aceitando nossa infelicidade.

Perdido1

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É proibido aporrinhar!

19 de outubro de 2009 at 6:19 am (1)

BurroUltimamente a vida de fumantes como eu tem se tornado insuportável.  A lei anti-fumo do estado de São Paulo pegou, e pegou forte! Honestamente, eu não botava fé, afinal, São Paulo é um centro de convivência noturno, e vida noturna combina com cigarro! Mas a lei pegou, e fumantes como eu perderam seu direito a apreciar doses e mais doses de câncer em locais fechados.

Na realidade, eu aprovo essa nova lei! Apesar de ser fumante, eu reconheço o quão inconveniente é para o não-fumante ter de conviver com a fumaça alheia. Mesmo eu, que fumo, detesto ter de inalar a fumaça de outra pessoa. Eu gosto de fumar, não fumar por tabela! Isso sem falar, claro, na questão da saúde pública.

Mesmo assim, eu lembro, saudoso, de uma época que eu não vivi, mas que vejo retrada em filmes antigos. Um tempo em que o cigarro era mais do que uma moda, era um costume. Fumava-se em todo lugar, até mesmo no cinema e no teacigarro1tro. Todo mundo fumava, e fumava-se em todo tipo de lugar! Nesse tempo as pessoas não reconheciam os males do cigarro, ou se negavam a reconhecer.

Hoje em dia, mesmo quem fuma reconhece o mal do cigarro. EU sei que fumar faz mal, eu sei que, pouco a pouco, estou matando meus alveolos pulmoares e outras coisitas. Mesmo assim eu fumo! Fumo porque é gostoso! Não importa o que digam: “cigarro fede, cigarro incomoda, cigarro faz mal”, foda-se, fumar é uma DELÍCIA! Se não fosse bom, não teriam quase 50 milhões de fumantes no Brasil.

De qualquer forma, cigarro2aprovo a lei por uma questão de respeito ao próximo. E mais que isso, respeito à SAÚDE do próximo. Mas depois que foi aprovada, essa lei despertou um sentimento de intolerância muito grande entre nos não-fumantes. Cada vez mais os fumantes tem de se esconder em buracos minúsculos para poderem saciar sua vontade, ou melhor, seu vício. Aliás, é isso que nenhum não-fumante entende: Tabagismo é um vício, é uma doença! Depois de viciado, o fumante não tem culpa de querer fumar! O cigarro passa a ser uma necessidade fisiológica, como comer, beber, respirar ou cagar!cigarro3

Depois da nova lei, qualquer lugar, mesmo aqueles em que a lei permite que se fume, ficaram à mercê da vigilância constante dos não-fumantes, que do dia para a noite se auto-intitularam “defensores do anti-tabagismo”. Outro dia eu estava passeando pelo centro da cidade, estava na frente do mosteiro São Bento, e resolvi acender meu cigarrinho. Na rua, local público e ABERTO, é permitido legalmente e moralmente que se fume. Afinal de contas, o lugar é aberto, porra! Mesmo assim, em locais aglomerados, eu costumo me afastar da multidão e encontrar um canto mais reservado para fumar.  cigarro4Enfim, encostei na grade do viaduto santa efigência e, sobre a paisagem monumental de São Paulo, acendi meu cigarro. Tudo corria bem, até que uma mulher que aparentava cerca de 40 anos chegou perto de mim. Depois de um tempo ela começou a reclamar da fumaça do cigarro. Pior do que isso, reclamou de maneira grosseira: -“Ah, puta que pariu, eu tenho que ficar fumando isso, caralho, deviam proibir essa merda em qualquer lugar!”. 

Bom, vocês leram bem minha história, não leram? Eu estava lá, no meu canto, fumando meu cigarrinho, e a mulher escolheu, de todos os lugares que havia lá, justamente o lugar ao meu lado, e ainda reclamou do meu cigarro! Porra, porque ela não procurou outro lugar? Ela viu que eu estava fumando! Se ela se incomoda com a fumaça (e ela tem todo esse direito), ela que não se aproxime de fumantes! 

Esse tipo de intolerância acontece o tempo todo comigo e com outros fumantes. Quando eu digo para meus amigos: -“Eu vou ali fora fumar”, alguns deles retrucam -“Caralho, num vai fumar porra nenhuma!”. Ou então acontece como aconteceu no centro, eu encontro um lugar sossegado para fumar, e aparece alguém para aporrinhar.cigarro5

Tudo bem que seja proibido o fumo em locais fechados, isso eu posso aceitar. O que eu não posso aceitar, é que fiquem o tempo todo me aporrinhando por causa do cigarro. Afinal de contas, se eu fumo sozinho, isso é um problema meu! É uma questão de escolha pessoal, de liberdade. Num certo momento da vida, eu escolhi fumar. Talvez por fraqueza, talvez porque o cigarro me acalmava, não sei, e não importa nem interessa a ninguém.

Um jeito de resumir minha opinião está na música “Maneiras”, que é genialmente interpretada pelo Art Popular.

Enquanto as pessoas recriminam meu hábito de fumar, eu luto, silenciosamente, para me livrar desse vício. É difícil, e às vezes parece impossível, mas com muita força de vontade eu acredito que seja possível. Talvez, se eu substituir o tabagismo por outro vício? Que tal alcoolismo?queda livre

 

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“Roubaram a minha bíblia!!!”

13 de outubro de 2009 at 11:26 pm (1)

Autoria: Benett

Autoria: Benett

 Ao longo da vida eu já participei de inúmeras competições, e nunca ganhei nenhuma! Pelo menos até a semana passada.

Quem me conhece sabe que eu visito diariamente alguns sites e blogs de cartunistas famosos e anônimos (alguns deles podem ser acessados ao lado). Além de ser uma ótima fonte de risadas, esses sites são muito inteligentes, e ajudam a desenvolver o senso crítico, a ironia e o sinismo (não que eu precise “aprimorar” meu sinismo, mas enfim).

Como parte do meu “tour” diário, está o maravilhoso Blog do Benett. Os desenhos, as charges e as tirinhas dele são ótimas. Apesar de ter se consagrado como cartunista, e não como escritor, confesso que acho seus textos escritos ainda melhores do que seus desenhos. Na semana passada, o Benett promoveu um concurso cultural que premiaria o autor da melhor resposta à pergunta: “Porque devo ganhar um livro do Benett?”. O prêmio seria um livro e um desenho original do próprio Benett.

De maneira bem despretensiosa, sabendo que meu histórico do promoções e concursos depunha contra mim, entrei nessa disputa. Não pelo livro (que eu poderia facilmente comprar), mas pelo desenho original!!!! Alguns dias depois de encerrada a promoção, no meio de uma madrugada típica de insônia, fui surpreendido pela notícia de que eu era o vencedor da promoção com a seguinte frase: “Benett, quero ganhar seu livro porque roubaram a minha bíblia!”.

Num primeiro momento, questionei a escolha: “Porra, será que o Benett fuma maconha?”. Mas depois li algumas das frases que concorreram com a minha, e percebi que realmente eu merecia ganhar. Modéstia à parte, a minha era a mais carregada de significado, e era a única que elogiava o livro do Benett. Concluí: “Não, o Benett não é maconheiro, ele é egocêntrico”.

Ao informar amigos e parentes da minha vitória nessa promoção, me surpreendi com a reação da minha mãe. Ela disse algo parecido com: “Pelo amor de deus, que horror! Comparar o livro do cara à bíblia! Que coisa horrível meu filho!”. Isso me fêz lembrar de como é difícil e arriscado falar sobre religião. Num mundo como o de hoje, onde tanto se valoriza a liberdade de crença e de opinião, ainda é muito perigoso falar de religião.

Eu jamais interferi no exercício da religião alheia. Tenho algumas opiniões a respeito de certas religiões, mas nunca reprimi ninguém por isso! Mesmo assim, quando EU expresso alguma crença ou visão religiosa, as pessoas me reprimem e me condenam. Isso não tem nada a ver com a frase “roubaram a minha bíblia!”. Essa frase não passa de HUMOR! E a palavra “humor” não existe no vocabulário dos religiosos. Pare eles, tudo é divino, tudo é sagrado, ou tudo é profano, ou tudo é diabólico. Não existe para eles o universo paralelo das suposições, do absurdo que se torna engraçado, da piada que não quer dizer nada! Quando eu escrevi “roubaram a minha bíblia”, eu quis ser PURAMENTE engraçado. Eu não quis expressar minha opinião sobre a bíblia, nem mesmo ofender àqueles que a utilizam como “manual de existência humana”. Pura e simplesmente, eu quis ser engraçado! Ninguém roubou minha bíblia de verdade. Eu nem tenho uma bíblia!!!!!!

Não devo nada a ninguém (exceto dinheiro), mas sei que meu post trará revolta, críticas e possivelmente ameaças e perseguição. Sabe porque?

“Os homens jamais fazem o mal tão completamente e com tanta alegria como quando o fazem a partir de uma convicção religiosa”-Blaise Pascal.

A frase de Pascal resume bem o que eu quero dizer com todo esse post. Religião não passa de uma maneira vil que os homens encontraram de fazer valer, em nome de Deus, sua própria vontade. Toda maldade já cometida pelo homem conseguiu se justificar através de convicções religiosas. Já mataram mulheres na fogueira, já escravizaram povos, já derrubaram prédios e etc. Desde sempre comete-se, em nome de Deus, grandes absurdos como esses. Comete-se tambpem pequenos crimes, como o dízimo cobrado pela igreja evangélica, que pode parecer inofensivo, mas acaba se tornando um montante imenso de dinheiro que fica nas mãos de meia dúzia de pessoas que se auto-intitulam bispos e pastores. Eu não confio nessa gente, muito menos com tanto dinheiro em mãos!

Apesar de ser católico de criação, EU DETESTO RELIGIÃO. Mesmo assim, eu acredito em DEUS. Nenhum religioso concebe a idéia de que alguém possa detestar religião, e adorar a Deus. Para eles, Deus se tornou uma entidade física, regulamentada e cheia de regras. Para mim, Deus e religião são mais que distintas, são opostas!

Eis algumas palavras que eu escrevi pensando em Deus, e inspirado pelo depoimento de um sertanejo:

“Eu vejo Deus em tudo! Eu vejo Deus no bater do meu coração, eu vejo Deus na dor das minhas costas, eu vejo Deus na alegria e na tristeza. Eu vejo Deus nas coisas, nas pessoas, nos animais e até mesmo nos insetos. Eu vejo Deus nos olhos daqueles que eu amo, e também nos olhos daqueles que eu odeio. Eu só não vejo Deus naqueles que falam de Deus. Falar de Deus e negar Deus. Não quero que vejam Deus nas minhas palavras, essa não é minha intenção. Quero que vejam Deus nas coisas que te fazem ver Deus, e não nas coisas que dizem de Deus.”

Cada um exerça sua crença e sua fé em Deus da maneira como lhe convém. Mas eu não abro mão de não exercer religião nenhuma! E também não abro mão de fazer meu humor sem ter que me preocupar em ofender ninguém.

Enquanto penso mais a esse respeito, aguardo pela chegada do meu livro e do meu desenho.

Desenho2.1

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Meu Perfil

9 de outubro de 2009 at 5:34 am (Pessoal)

Perfil1

É impossível criar um Blog e não dar um perfil do autor. No meu caso, essa história de “perfil” foi sempre muito traumática. A partir do meus 13 anos, além da puberdade e da constante marturb…….(enfim), eu tive de conviver com o explosivo crescimento do meu nariz, tudo graças ao meu pai, que me deixou essa herança, ou melhor, essa PRAGA genética.
Não que eu ache meu nariz feio, pelo contrário, eu acho o nariz grande muito charmoso
no homem. Além do que, todo mundo sabe que o tamanho do nariz é proporcional ao tamanho do p…………, do coração, claro. O difícil é convencer as pessoas disso!!!
 

Apelidos como “Tucano”, “Napa“, “Pinóquio”, “Pica-pau” e etc, são muito comuns. Meu apelido, desde a quinta-série, era “Zeh”, então os amigos sempre agregaram os sobrenomes (Zeh tucano, zeh pinóquio e etc…). Acabei me acostumando, pois duravam muito pouco. O chato era quando os amigos combinavam de se abaixar juntos, quando eu me virava. Nunca vi graça nisso!

Dizem que a melhor forma de evitar gozação, é ser o primeiro e gozar de si. Contando com isso, eis aí o meu perfil, literalmente descrito pela foto e pelo texto! E mais do que falar e mostrar meu nariz, vou homenageá-lo, parafraseando meu grande ídolo das letras, Machado de Assis:
 

Nariz, consciência sem remorsos, tu me valeste muito na vida… Já meditaste alguma vez no destino do nariz, amado leitor? A explicação do Doutor Pangloss é que o nariz foi criado para uso dos óculos, — e tal explicação confesso que até certo tempo me pareceu definitiva; mas veio um dia, em que, estando a ruminar esse e outros pontos obscuros de filosofia, atinei com a única, verdadeira e definitiva explicação.
Com efeito, bastou-me atentar no costume do faquir. Sabe o leitor que o faquir gasta longas horas a olhar para a ponta do nariz, com o fim único de ver a luz celeste. Quando ele finca os olhos na ponta do nariz, perde o sentimento das coisas externas, embeleza-se no invisível, aprende o impalpável
, desvincula-se da terra, dissolve-se, eteriza-se. Essa sublimação do ser pela ponta do nariz é o fenômeno mais excelso do espírito, e a faculdade de a obter não pertence ao faquir somente: é universal. Cada homem tem necessidade e poder de contemplar o seu próprio nariz, para o fim de ver a luz celeste, e tal contemplação, cujo efeito é a subordinação do universo a um nariz somente, constitui o equilíbrio das sociedades. Se os narizes se contemplassem exclusivamente uns aos outros, o gênero humano não chegaria a durar dois séculos: extinguia-se com as primeiras tribos.
Ouço daqui uma objeção do leitor: — Como pode ser assim, diz ele se nunca jamais ninguém não viu estarem os homens a contemplar o seu próprio nariz?
Leitor obtuso, isso prova que nunca entraste no cérebro de um chapeleiro. Um chapeleiro passa por uma loja de chapéus; é a loja de um rival, que a abriu há dois anos; tinha então duas portas, hoje tem quatro; promete ter seis a oito. Nas vidraças ostentam-se os chapéus do rival; pelas portas entram os fregueses do rival; o chapeleiro compara aquela loja com a sua, que é mais antiga e tem só duas portas, e aqueles chapéus com os seus, menos buscados, ainda que de igual preço. Mortifica-se naturalmente; mas vai andando, concentrado, com os olhos para baixo ou para a frente, a indagar as causas da prosperidade do outro e do seu próprio atraso, quando ele chapeleiro é muito melhor chapeleiro do que o outro chapeleiro… Nesse instante é que os olhos se fixam na ponta do nariz.
A conclusão, portanto, é que há duas forças capitais: o amor, que multiplica a espécie, e o nariz, que a subordina ao indivíduo.”

Ah meu Deus, eu amo meu nariz! (risos).

 

Depois de falar do meu nariz, pouco importa saberem meu nome, meu endereço, minhas crenças ou meus sonhos. Conhece meu nariz, conhece-me!!! O nariz é melhor do que o Homem, porque está sempre à frente dele! No meu caso, está BEEEEEEEEM à frente.

Desenho1.1

 

 

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